Publicado por: Virtuisk | 04/08/2009

Jorge e o Saxofone Salvador

Jorge, o Palestino

Jorge, o Palestino

Intifada. Jorge nasceu com ela, e parecia, as vezes, que morreria com ela pairando sobre sua cabeça.

As balas zuniam, as bombas destroçavam sua cidade. E as pedras, os destroços, os entulhos voavam de volta.

Jorge aprendeu a arremessar pedras com a mesma facilidade que apredera a andar. Talvez mais fácil.

Não gostava de música quando criança. As batida lhe lembravam balas. SEMPRE.

Um dia a tarde, andando na rua ouviu a ordem para ele parar. Ele conhecia aquelas palavras em hebraico, elas sempre antecipavam a morte de algum conhecido seu. Não parou, se arremessou pra dentro de uma ruina, uma antiga casa ou comérico.

As balas soaram, e ressonaram.  Ao lado de Jorge um antigo cano…  Provavelmente aquela era uma casa de banhos. Ele parou as balas israelenses, salvara-o. Sem pensar no porque, jorge agarrou aquele cano, mas ao invés de arremesá-lo no soldado, decidiu ficar com ele, partiu correndo.

Seu avô era um antigo metalúrgico fã de música, e conhecia um punhado de luthiers. Não muitos estavam vivos, e menos ainda tinham suas oficinas. Mas quando Jorge lhe mostrou o pedaço de cano que tinha  e disse que queria fazer alguma coisa com aquilo para não mais se esquecer daquele dia, o rosto do velho senhor se iluminou: ele pegou o cano da mão de Jorge e apenas respondeu que o procurasse dali um dia ou dois, talvez fosse melhor na semana seguinte, era perigoso atravessar a cidade naqueles tempos.

Jorge voltou no dia seguinte. Durante toda a semana ele visitou seu avô e sondou para saber o que ele fizera do cano. Nada soube. Muito chá foi tomado, até que quase um mês depois um velhinho apareceu para tomar um chá com seu avô. ele trazia um grande embrulho e este parecia bem pesado.

No fim do chá o velho retirou um enorme saxofone de dentro e disse: Foi a única coisa que eu pensei em fazer com aquele pedaço de cano que me deu, tive de cortar e torcer e aparar, mas ficou bom. Muito bom mesmo.

Seu avô olhou para ele, seu rosto iluminou-se e ele disse: Pronto garoto, agora você tem de volta seu saxofone salvador, pare de me importunar e toque isso lá fora, por favor.

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